Software pode prever ações terroristas

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Editora Globo
Algoritmos em prol da paz. Objetivo é se antecipar ao terrorismo através de estatísticas //Crédito: ShutterStock
Em 26 de novembro de 2008, dois hotéis, um centro judaico, uma estação ferroviária e um quartel general de Mumbai foram invadidos por 10 homens armados. Eles abriram fogo, fizeram reféns, jogaram granadas e explodiram carros-bomba por onde passaram. O terror na maior cidade da Índia durou 3 dias. Saldo final: 166 mortos e 300 feridos. A organização paquistanesa Lashkar-e-Taiba (“Exército de Deus”) assumiu a autoria dos ataques. Um dos terroristas disse que ele e seus comparsas usaram o Google Earth para se familiarizar com os diferentes cenários atingidos. Quase 4 anos depois, a tecnologia está sendo usada novamente, agora para impedir que tragédias como essa se repitam: a ideia é adivinhar os passos dos terroristas. 


A proposta é ambiciosa, mas não dá pra pensar pequeno quando estamos falando de pessoas dispostas a morrer por uma causa – desde que dezenas de outras morram também. A maioria dos sites de comércio online realiza diversos cálculos para sugerir coisas para você comprar, tendo como base suas últimas aquisições. Pesquisadores da Universidade de Maryland, nos EUA, pegaram essa lógica e a aplicaram em ataques terroristas – ao analisar a metodologia de ações anteriores é possível determinar data e local de novas ações? Dá pra decifrar um padrão por trás dos ataques? Aparentemente sim.
O projeto virou até livro. Com o nome “Análise Computacional de Grupos Terroristas: o Lashkar-e-Taiba”, a pesquisa mantém o foco no grupo paquistanês. Analisando os 22 anos de atividades do LeT através de jornais, revistas e artigos acadêmicos, 770 variáveis foram criadas é a partir delas que as previsões são feitas. Um exemplo: os cálculos mostram que o a melhor forma de conter as ofensivas do grupo é a pressão diplomática – outras estratégias que não levarem isso em conta estarão fadadas ao fracasso. Ações militares contra o LeT tiveram um sucesso relativo, o que deu resultado ao longo do tempo foi incentivar a dissidência entre líderes do grupo.

O software descobriu que quando o LeT recebe ajuda financeira da diáspora paquistanesa e, ao mesmo tempo, está envolvido em algum tipo de atividade comercial no país, a possibilidade de um ataque armado é de 71,4%. Se uma dessas prerrogativas não existir, a chance cai para 0,02%. Mohamed Kasab, único terrorista sobrevivente do massacre (os outros 9 foram executados pela polícia do país durante os ataques) acaba de ser condenado à pena de morte pela justiça indiana.

Clique aqui para ver o resumo do estudo.