Violação de e-mail de presidente sírio indica início de guerra da informação [HackerActivismo]

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A divulgação de dezenas de e-mails reveladores do presidente Bashar al Assad aponta para uma nova era de guerra de informações. Embora ainda não se saiba quem teve acesso aos dados, investigações apontam para uma ação dos próprios rebeldes sírios, resultado de ajuda de agências de espionagem do Ocidente ou de hackers ativistas.
O jornal britânico "The Guardian" começou a publicar na quinta-feira (15) os detalhes do material, que, segundo a publicação, foi interceptado secretamente por integrantes da oposição na Síria entre junho de 2011 e fevereiro deste ano.

Eles pararam quando outra tentativa de ação de hackers – sem relação nenhuma com a anterior e que se acredita ser do grupo "Anonymous" – alertou as autoridades para o fato de que o sistema estava comprometido.
Os detalhes divulgados até agora vão desde a evidência do apoio iraniano à repressão na Síria ao gasto de milhares de dólares em itens de luxo pela mulher de Assad, passando pelos dados sobre as contas dele do iTunes, serviço de músicas, vídeos e aplicativos da Apple, e os seus hábitos com relação a vídeos na internet.
O "Guardian" disse ter feito várias tentativas de checar a autenticidade dos e-mails e acredita que a maioria (se não todos) é genuína.
A obtenção e a publicação de dados ocultos estão ficando mais fáceis, como já demonstrado pela divulgação pelo Wikileaks dos malotes diplomáticos do Departamento de Estado norte-americano e dos registros de guerra dos EUA no Iraque e no Afeganistão.
O presidente da Síria, Bashar al Assad, e sua mulher, Asma, votam no referendo da nova constituição síria, em Damasco, em 26 de fevereiro (Foto: AFP)O presidente da Síria, Bashar al Assad, e sua
mulher, Asma, votam no referendo da nova
constituição síria, em Damasco, em 26 de
fevereiro (Foto: AFP)
Embora a maior parte dos exemplos mais conhecidos de roubo de informações tenha ocorrido em países do Ocidente, alguns especialistas suspeitam há muito tempo que o impacto maior disso poderia se dar nos Estados autocráticos, ajudando a desestabilizar esses governos.
A guerra cibernética nos próximos anos, acreditam cada vez mais os especialistas, poderá estar relacionada à tentativa de proteger ou disseminar informações especialmente delicadas, mas também à conspiração para executar ataques cibernéticos contra a infraestrutura essencial de um país.
"Essa é a primeira vez que os insurgentes ganharam acesso às comunicações de alto nível do regime em meio a um levante", diz John Bassett, ex-oficial da agência de inteligência britânica GCHQ e agora membro do Royal United Services Institute.
"Isso poderá ser um ponto decisivo para o desenvolvimento de uma guerra cibernética."