Cientistas criam computador que se conserta sozinho e que nunca trava

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Cientistas da computação da Universidade de Londres criaram um tipo de computador que é capaz de realizar consertos sozinho e que nunca trava. A ideia para o computador resiliente veio da observação do funcionamento de um sistema que é capaz de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, que faz reparos em si mesmo e que, teoricamente, nunca trava: o cérebro.
Tela azul pode virar coisa do passado (Foto: Reprodução)Tela azul pode virar coisa do passado (Foto: Reprodução/Extreme Tech)
Computadores funcionam endereçando diversas tarefas, em ordem, para que o processador as use e dê soluções adequadas a cada etapa do funcionamento do sistema. Computadores, em última análise, não são capazes de operações simultâneas. O que eles fazem é passar de uma operação para a outra em altíssimas velocidades, o que dá a impressão de que eles estão fazendo um download, reproduzindo uma música e abrindo um site de Internet ao mesmo tempo.
Quando um computador trava, normalmente, alguma dessas operações foi mal resolvida pelo processador. O travamento de uma delas, na ordem das milhares por segundo que são realizadas, pode fazer o sistema todo colapsar em uma desagradável tela azul. Ou coisa pior, dependendo da dimensão do problema.
Redes de neurônios serviram de inspiração para cientistas
No cérebro, diversos neurônios e suas respectivas redes, realizam operações independentes, ao mesmo tempo. Diferente de computadores, o cérebro humano não precisa de uma hierarquia entre suas operações. Mas, similar a um computador, o cérebro erra no processamento com enorme frequência. A diferença é que, quando um neurônio dispara uma sinapse (pulso elétrico que flui de um neurônio para outro) no momento errado, o cérebro corrige-se, fazendo com que aquela tarefa seja reprocessada, talvez com alguma diferença menor no percurso pela rede neural responsável, mas em essência, o sistema tolera falhas porque sabe corrigi-las.
O que os cientistas londrinos criaram é um tipo de computador que emula essa característica. Uma máquina que tolera erros e consegue corrigi-los, impedindo que o sistema trave. Basicamente, a máquina da Universidade de Londres opera com diversas redes de sistemas, que são independentes. Como seu cérebro, que tem áreas sensíveis a determinadas operações, o computador tem sistemas destinados a determinadas tarefas. Isso permite que essas várias ilhas de processamento trabalhem simultaneamente e evita que o sistema trave.
A diminuição no risco de travamento se explica porque o sistema acaba trabalhando com um alto nível de cópias de si mesmo, de suas instruções, tarefas e dados, tudo espalhado pelos diversos sistemas internos. Se algo dá errado, o sistema sabe identificar o processo que causou a falha e o recupera as instruções originais, fazendo com que a tarefa seja reprocessada. Tudo, claro, na casa dos milisegundos.
Uma das aplicações interessantes da pesquisa pode levar a computadores com capacidade inimagináveis de trabalho. Um dos desdobramentos do estudo está conduzindo os cientistas responsáveis à criação de um computador que seja capaz de modificar seus sistemas lógicos ao longo do tempo. Em outras palavras, uma máquina que não apenas não trava e se corrige, mas também aprende sozinha.