Bitcoin: carteiras bitcoin

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Este artigo foi escrito por escrito por B. Piropo 
Terminei a coluna anterior afirmando que para compreender como o sistema bitcoin funciona é preciso conhecer as noções básicas sobre criptografia – ou encriptação, em um português mais castiço (o termo criptografia e seus derivados existem em português, mas são aportuguesamentos do inglês “cryptography”).


Mas antes é necessário saber por que estas noções são tão importante para quem efetua transações usando bitcoins.
Então vamos começar por aí.
Vejamos: bitcoin designa tanto a moeda no sentido “meio pelo qual são efetuadas transações monetárias” quanto no sentido daquilo que é usado nestas transações, em geral uma peça de metal de formato circular. 
Figura 1: moedas (Foto: Reprodução/Internet)Figura 1: moedas (Foto: Reprodução/Internet)
Veja, na Figura 1, algumas das moedas que juntei nas viagens que andei fazendo por este mundão velho sem porteira. Tenho o hábito de, assim que chego em casa de volta de uma delas, esvaziar minha carteira de moedas em um velho pote que já está quase cheio após tantas andanças por tantos países cada um com sua moeda. As que aí estão são parte de um punhado colhido ao acaso neste pote e selecionadas para evitar repetições. Não me pergunte de onde são. Para responder teria que examinar uma a uma e, algumas, nem examinando conseguiria, pois nestas o país e o valor vêm estampados em ideogramas. Só sei que estão todas com a “cara” para cima e que a moeda que está no centro da segunda fileira de cima para baixo, como vocês perceberam, é a de um real (que aí está como referência de tamanho) ladeada por uma de cinquenta cruzeiros à sua direita e outra de um dólar americano (sim, são raras, mas existem) à esquerda.
Será que entre elas há um bitcoin? E, se não houver, será que um bitcoin se parece com alguma delas?
Não, não há. E não se pareceria nem um pouco com qualquer delas. Na verdade um bitcoin com nada se parece. Por ser uma moeda virtual, é imaterial. Fisicamente ele não existe. Mas um conjunto deles pode ser representado por dois números que constituem uma “carteira” virtual (em inglês “wallet”, no sentido de “pequena bolsa de couro… dobrável, com divisões internas, própria para guardar cédulas”).
São essas carteiras que permitem que se use bitcoins para efetuar transações. A forma mais simples de uma carteira bitcoin consiste apenas em dois números. Esses números podem estar armazenados em programas especificamente desenvolvidos para isto (há até versões criadas para telefones espertos e dispositivos móveis), em dispositivos de hardware (como “pendrives” ou o próprio disco rígido do proprietário, que nesse caso deve adotar medidas de segurança extremas para evitar que um “batedor de carteiras” virtuais se aposse de sua bufunfa) ou até mesmo impressas em papel com os dois números que a identificam e os demais dados inscritos em um código QR (de “Quick Response Code”; veja-os na Figura 2, mais abaixo).
Os dois números citados não apenas identificam a quantidade de bitcoins contida na carteira mas também permitem conhecer sua origem e demais características. Como eles constituem a carteira, possibilitam que todos ou parte dos bitcoins nela contidos sejam usados em transações financeiras, compras de objetos, troca por outras moedas, etc. (nas instituições que transacionam com bitcoins), sem que quem efetua a transação precise se identificar (quem leu a coluna anterior sabe que os bitcoins, como o dinheiro vivo, pertencem a quem os porta, ou seja, a quem porta a carteira, sem necessidade de identificação). E se alguém de portentosa memória conseguir decorar aquelas intrincadas cadeias de caracteres e símbolos que formam os dois números, não precisará de qualquer dos modelos de carteira descritos dois parágrafos acima. Quando precisar efetuar uma transação com os bitcoins nela contidos, bastará entrar com os números.
Isto significa que, se a carteira for sua mas um pilantra qualquer tiver acesso a estes números, pode usá-los para “torrar” toda a grana nela contida sem que você se dê conta, da mesma forma que um amigo do alheio pode surrupiar a carteira de dinheiro de seu bolso sem que você perceba e gastar todo o dinheiro nela contido. Se isto ocorrer, mesmo que você ainda disponha dos números que identificam a carteira, não mais poderá fazer uso dela pois um engenhosíssimo mecanismo de controle (que discutiremos mais tarde) impede que o mesmo bitcoin (ou parte dele) seja gasto duas vezes. E se você perder a carteira (por falha no disco rígido ou perda física do “pendrive” ou papel que contém seus dados), babau. Foi-se a grana nela contida. Não há como refazê-la, da mesma forma que não se pode “refazer” uma nota de cem reais perdida ou furtada.
Pois bem: agora que sabemos que a moeda física bitcoin não existe, que o que existe são carteiras virtuais que os contêm e que estas carteiras são constituídas por dois números que a identificam, resta saber o que representam estes dois números.
O primeiro, denominado “Endereço do Bitcoin” (“Bitcoin Address”) é uma chave pública e o segundo é uma chave privada (“Private Key”) de um sistema de encriptação assimétrico (se por acaso estas designações não fizerem sentido para você, não se preocupe, logo farão).
Figura 2: uma carteira de bitcoins (Foto: Reprodução/Internet)Figura 2: uma carteira de bitcoins (Foto: Reprodução/Internet)

Veja, na Figura 2 (obtida na Wikipedia), o aspecto de uma carteira impressa em papel. Repare nos dois números (representados por longas cadeias de caracteres que podem ser convertidas em números binários) que a identificam. O da esquerda, rotulado “Bitcoin Address”, é a chave pública, o da direita, rotulado “Private Key”, é a chave privada. As demais informações estão contidas no código QR.
Isto posto, vamos ver que negócio é este de chave pública e privada.
Para isto teremos que conhecer pelo menos os conceitos fundamentais da técnica milenar, mas hoje em dia extraordinariamente evoluída, denominada “encriptação” ou “criptografia”, a ciência (há quem considere uma arte) de cifrar mensagens e dados para garantir a segurança de seu conteúdo.
Escrito por B. Piropo via techtudo